PARQUE ICNOLÓGICO DE PENHA GARCIA
Este importante geossítio do Geoparque Naturtejo está localizado na encosta norte da vila de Penha Garcia, onde inclui o vale do rio Ponsul, formado por encostas íngremes de rocha quartzítica.
O complexo faz parte da cordilheira da Serra do Ramilo, que atinge mais de 800 metros de altitude, e que se estende até à fronteira em Termas de Monfortinho.
O Geoparque Naturtejo da UNESCO foi o primeiro a ser criado em Portugal. Embora abranja um vasto território e inúmeros geossítios, os icnofósseis de Penha Garcia destacam-se pela sua quantidade, qualidade de preservação e facilidade de observação.
VIDA SELVAGEM DE HÁ 480 MILHÕES DE ANOS IMPRESSA NA ROCHA
No Parque Icnológico de Penha Garcia, as rochas quartzíticas do Ordovícico apresentam vestígios fósseis do comportamento da vida marinha de há 480 milhões de anos. Tratam-se principalmente de vestígios deixados por trilobites, artrópodes marinhos que se alimentavam no fundo arenoso e pouco profundo do Oceano Rheic, localizado no hemisfério sul e na margem noroeste do supercontinente Gondwana. No entanto, mais de 60 espécies já foram identificadas nos fósseis de Penha Garcia.
De formação mais recente, a garganta epigénica do rio Ponsul foi formada ao longo dos últimos 2 milhões de anos, auxiliada por uma série de falhas tectónicas. Ao longo deste vale profundo, o homem construiu um grande número de moinhos de água que, aproveitando a força da água, moíam os cereais utilizados para fazer pão.
PARQUE NATURAL DO TEJO INTERNACIONAL
Este parque natural inclui a secção internacional do rio Tejo com os seus principais afluentes, os rios Aravil, Erges e Pônsul, e cobre uma área de quase 26 500 hectares. A cobertura florestal do parque é formada principalmente por bosques de sobreiros e azinheiras. Representa uma importante área de nidificação e refúgio para aves mediterrânicas, destacando-se as aves de rapina e as aves rupícolas. Entre estas destacam-se a Águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), a Águia-real (Aquila chrysaetos), a Águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti), a Águia-cobreira (Circaetus gallicus), o Grifo (Gyps fulvus), o Abutre-do-Egipto (Neophron percnopterus), o Abutre-preto (Aegypius monachus), o Bufo-real (Bubo Bubo), a Cegonha-preta(Ciconia nigra), a Pêga-azul (Cyanopica cooki), o Pardal-espanhol (Passer hispaniolensis), o Papa-figos (Oriolus oriolus) e o Abelharuco (Merops apiaster).
A área do parque é muito pouco povoada, com algumas aldeias situadas perto dos seus limites.
Os diferentes estatutos de conservação atestam a importância dos valores naturais que compõem esta área protegida: Parque Natural, Geoparque, Zona de Protecção Especial, Reserva da Biosfera, Área Importante para Aves (IBA).
VALORES BOTÂNICOS DA REGIÃO
Nesta paisagem mediterrânica, é comum encontrar arbustos de tamanho médio, como a Lentisqueira (Pistacia lentiscus) e a Cornalheira (Pistacia terebinthus), a Retama-amarela (Retama sphaerocarpa), a Esteva (Cistus ladanifer) e o Rosmaninho (Lavandula pedunculata). Esta associação botânica, bem como os diversos habitats do território, abrigam um grupo de plantas com distribuição restrita à Península Ibérica, das quais se destacam as seguintes:
- Anchusa undulata subsp. granatensis
- Tamujo (Flueggea tinctoria)
- Giesta-brava (Genista hystrix)
- Linaria amethystea subsp. amethystea
- Linaria elegans
- Linaria oblongifolia subsp. haenseleri
- Iris xiphium var. lusitanica
- Rosa-albardeira (Paeonia broteri)
- Ranunculus ollissiponensis subsp. ollissiponensis
- Salgueiro-branco (Salix salviifolia subsp. australis)




